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Sufismo Universal
Dicionário Sufi
صوفی‌گری
(De acordo com o “DICIONÁRIO HISTÓRICO DE SUFISMO”, John Renard, Scarecrow Press, 2005, entre outras fontes)
 
 
A
ALÁ (ALLAH) (Deus): o Único, Ser transcendente que é Criador, Sustentador e Dispensador de todas as coisas, como descrito nos “99 nomes mais belos de Deus”. Predominante nos assuntos religiosos de cada muçulmano é a afirmação da unidade transcendente divina ('tawhid'). A teologia sufi desenvolve noções islâmicas fundamentais da divindade e das relações desta para com a criação e a humanidade, começando com a concepção dos seres humanos como servos de Deus. Os primeiros ascetas focaram-se nos atributos da majestade e poder divinos, especialmente o Juízo de Deus, ante o qual os seres humanos podem certamente pensar unicamente como prestação de contas pelo pecado. Em desenvolvimentos teológicos posteriores, exegetas sufis e autores místicos têm freqüentemente gravitado na direção dos Nomes que sugerem cuidado divino e mesmo intimidade com a criação. Mas eles estão falando de uma proximidade nascida inteiramente do favor ou presente de Deus, e de modo algum daquela premiada ou merecida por virtude.
 
D
DERVIXE (DARWISH): De uma composição persa significando “buscador da porta” (darwish), sugerindo mendicância itinerante. O uso tecnicamente correto geralmente baseia-se em restringir o termo a indivíduos Sufis não conectados a ordens específicas, ou àqueles afiliados a organizações cujos membros tendem a ser menos ligados a uma vida institucional estabelecida. No uso mais coloquial, contudo, o termo veio a se referir mais livremente à generalidade dos Sufis. Na África do Norte, dervixes são referidos como “irmãos” (‘ikhwan), e em arábico o equivalente é “pobre” (faqir).
 
J
JESUS: penúltimo na linha dos profetas, filho de Maria. Conhecido em árabe como 'Issa' (Isa'), ele nasceu miraculosamente antes que sua mãe tivesse casado e falou milagrosamente enquanto neném para defendê-la contra as calúnias de seu povoado e familiares. Para os Sufis, Jesus representa um importante modelo da confiança em Deus. Alguns autores desenvolveram metaforicamente o conceito da gravidez de Maria e parto como um protótipo do buscador dar à luz ao “Jesus do Espírito”. Assim como Jesus disciplinou o burrico, o buscador espiritual deve domar e montar o “Burro do Corpo”. Jesus tinha os dons miraculosos da cura e restauração da vida, e o Sufi deve aprender a cultivar as contrapartes espirituais daquelas maravilhas. Muitos Sufis têm atribuído a Jesus como modelo de ascetismo.
 
M
MECA (MECCA, MAKKA): Antiga cidade na parte oeste-central da Península Arábica, local de nascimento e lar de Maomé (Muhammad), meta da peregrinação muçulmana. Dentre as maiores ligações de Meca com o Sufismo está a centralização da Caaba ('Ka’ba'), cujas dimensões metafóricas os poetas Sufis (especialmente Ibn al-Farid) têm frequentemente desenvolvido como um símbolo da beleza velada do divino Amado. Antes das reformas Wahhabi dos sécs. 13/19, a cidade santa foi um importante centro da ordem Naqshbandiya, e membros maiores da Qadiriya e Tijaniya lá estudaram. De fato, era comum para membros de muitas ordens diferentes procurarem carreiras em estudos religiosos em ambas, Meca e Medina, eventualmente retornando à suas pátrias como professores. Dentre os mais famosos sufis que residiram lá por períodos significativos está o manualista Abu Talib al-Makki. Meca é a 'qibla', a orientação ritual, a direção que os muçulmanos se voltam na oração ritual diária.
 
MAOMÉ, MOHAMED, MUHAMMAD (c. 570-632): último de uma série de emissários divinos para a raça humana (portanto conhecido como “Selo dos Profetas” ('Khatm al-anbiya’), que entregou a revelação consumada conhecida como o Corão ('Qur’an'), e cujo relacionamento com Deus fez dele o modelo da vida espiritual para os Sufis. Nascido em Meca nos finais do século sexto, é dito que Muhammad teve suas primeiras experiências de revelação por volta dos 40 anos de idade. Durante os próximos 23 anos aproximadamente, ele proferiu as palavras da sagrada escritura, largamente na forma de predicações. Após a jovem comunidade Muçulmana empreender a Hégira ('Hijra'), ao papel do Profeta somou-se legislação e liderança política com ética e exemplo espiritual. Virtualmente cada aspecto dos modos de Maomé oferece uma importante indicação para os valores internos aos quais todos Muçulmanos devem empenhar-se. A simplicidade de vida do Profeta e repúdio a toda ostentação e luxo fizeram dele o modelo de autonegação para os primeiros ascetas bem como para as gerações posteriores. Sua condição “não-escrevedora” (ou “iletrada”, ummi) veio simbolizar a necessidade para o indivíduo estar presente diante de Deus sem precondição, na plena realização da prioridade da iniciativa divina em todas as coisas. Os Sufis tendem para (e talvez algumas vezes fabricado) Hadiths que sugerem interesses espirituais e qualidades, como as atitudes do Profeta em relação à oração e outras práticas. As relações do Profeta com suas esposas, crianças e Companheiros também exemplificaram valores importantes, caracterizados como se fossem bondade e justiça. Mas, acima de tudo, foi a Ascensão de Muhammad que mais capturou a imaginação dos Sufis posteriores como uma imagem da experiência espiritual definitiva. Os poetas Sufis em todas as maiores linguagens literárias islamizadas desenvolveram virtualmente cada traço da vida do Profeta e relacionamentos como paradigmas de aspectos específicos do caminho espiritual, e têm cantado em louvor às suas sublimes virtudes.
 
S 
SUFISMO: Termo genérico ('tasawwufem árabe [تصوف ] ; 'sufi gari' em persa [صوفی‌گری] ) comumente usado para descrever vários aspectos da tradição mística islâmica e suas instituições. Alguns estudiosos argumentam que deriva do termo árabe ' suf ' (lã), sugerindo que os primeiros sufis foram tipos ascéticos conhecidos por usarem túnicas rústicas de lã. Alguns teóricos Sufis ligam o termo na direção do topo da sua ordem de estações ou estados, sugerindo que se obtém a realidade interior do Sufismo apenas longamente, após desposá-lo como caminho de vida. Significativos termos técnicos cognatos incluem 'mustaswif' (pretenso Sufi) e 'mutasawwif' (aquele que aspira ser um Sufi).
 
 
 
 
 
 

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