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Sufismo Universal
Kabir
1
 
Eu não sou devoto nem ateu,
Não me guio por lei nem por razão,
Não sou conferencista e não sou ouvinte,
Não sou nem servo nem senhor,
Não estou acorrentado, tampouco sou livre,
Não estou ligado nem desligado.
Não estou longe de ninguém:
Não estou próximo de ninguém.
Não irei nem para o inferno nem para o céu,
Cumpro todos os meus deveres,
Embora deles esteja apartado.
Poucos compreendem o que quero dizer:
Aquele que compreende, permanece impassível.
Kabir não procura nem estabelecer nem destruir.
 
 
 
2
 
Ó meu coração! Iremos ao país onde se encontra
o Amado, o Conquistador de meu coração!
Lá o amor enche seu cântaro no poço
ainda que não haja corda para trazer a água;
Lá as nuvens não encobrem o céu, mas chove
em suaves catadupas:
Ó espírito! Não te detenhas em teu umbral:
sai e banha-te nessa chuva!
Lá há sempre luar e jamais escuridão;
e quem falou de um único sol? Essa terra
é iluminada pelos raios de um milhão de sóis.
 
 
 
3
 
Ó servidor! Onde estás a Me procurar?
Olha! Estou a teu lado.
Eu não estou nem no templo nem na mesquita.
Não me encontro na Caaba muçulmana
ou no Kailash dos deuses hindus:
não estou nos rituais e cerimônias,
tampouco na ioga e nas mortificações.
Se és buscador sincero, em breve me verás:
chegará o momento de encontrar-Me.
Kabir diz: “Ó sadhu! Deus é a respiração
de tudo o que respira”. 
 
 
 
4
 
Ó amigo! Busca-O durante tua vida, conhece,
enquanto vives, compreende enquanto vives:
pois na vida está a libertação.
Se teu cativeiro não se romper enquanto vives,
que esperança de libertação haverá na morte?
Não é senão um sonho vazio acreditar
que a alma vai unir-se a Ele
porque abandonou o corpo:
se nós O encontrarmos agora,
saberemos encontra-Lo depois,
do contrário, apenas iremos povoar
a Cidadela da Morte.
Se obténs agora a União, estarás
unido a Ele para sempre.
Mergulha na Verdade, encontra o verdadeiro Guru,
fia-te no verdadeiro Nome!
Kabir diz: “É o espírito de busca que conta;
eu sou escravo desse espírito de busca”.
 
 
 
5
 
É inútil perguntar a um santo
a que casta ele pertence;
pois o sacerdote, o guerreiro, o comerciante,
e todas as trinta e seis castas da Índia
aspiram igualmente a Deus.
É mesmo muito tolo especular
sobre a casta de um santo;
o barbeiro buscou a Deus; e assim o fizeram
a lavadeira e o carpinteiro –
mesmo Raidas era um buscador.
De casta, o Rishi Suapacha era curtidor.
Tanto hindus como muçulmanos
visaram essa Meta, onde se anula
qualquer sinal de distinção.
 
 

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