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Sufismo Universal
Contos Tradicionais
صوفی‌گری
    
1 
(Da Tradição dos hadices, referida por Omar, o segundo Califa)
"Um dia, enquanto estavamos com o Mensageiro de Deus, chegou um homem cujas roupas eram extremamente brancas e seu cabelo extremamente negro. Não havia nele o menor sinal de viagem, e sem embargo nenhum de nós o havia visto antes. Sentou-se, joelho contra joelho, frente ao Profeta, sobre cujas coxas pôs suas mãos, e disse: "Oh, Muhammad, diz-me em que consiste a submissão a Deus (al-islã)." O Profeta respondeu: "A submissão consiste em que testifiques que não há mais deus que Deus e que Muhammad é o Apóstolo de Deus, em que faças a oração, dês a esmola, jejues durante o mês de Ramadã e realizes, se puderes, a peregrinação à Casa Sagrada." "Hás dito a verdade", disse ele, e nos surpreendemos de que, havendo-lhe perguntado, se permitisse aprovar sua resposta. Logo disse: "Diz-me em que consiste a fé (imã)", e o Profeta respondeu: "A fé consiste em que creias em Deus, em Seus Anjos, em Seus Livros, em Seus Apóstolos e no Juízo Final, e em que creias que não chega nenhum bem nem nenhum mal se não é por Sua Providência". "Disseste a verdade", disse ele, e logo: "Diz-me em que consiste a excelência (ihsã)." "O Profeta respondeu: "A excelência consiste em adorar a Deus como se O visses, pois se tu não O vês, Ele certamente te vê"... Logo o estrangeiro se foi, e eu todavia fiquei ali por um longo tempo, até que o Profeta me disse: "Oh, Umar, sabes quem era aquele que me interrogou?" Disse: "Deus e Seu Profeta são mais sábios, eu não sei nada." "Era Gabriel - disse o Profeta - veio para ensinar-vos vossa religião".
    
2
"Conta-se que, ao cair da noite, Râbi’a subia ao terraço de sua casa para rezar; ali, envolta em seu véu, falava assim com Deus:
- Deus meu, tudo ficou em silêncio e quietude, os amantes estão com as suas amadas.
Eu estou aqui, só contigo.
 
Logo, após a oração vespertina, conversava com Ele, dizendo:
- Deus meu, as estrelas cintilam no firmamento, os olhos dormem, rendidos pelo sono; os reis fecharam suas portas e os amantes se retiram, entregues ao amor.
E eu permaneço aqui, entre Tuas mãos.
 
Depois se abismava na oração, até a aurora. Quando nasciam as primeiras luzes, dizia:
- Deus meu, a noite passou e o dia desponta luminoso. Se souber que aceitaste minha noite, transbordará a minha alegria, mas se a rechaçou, saberei resignar-me. Por Tua glória estarei velando e orarei enquanto me mantenhas na vida.
Sim, por Tua glória, ainda que me arrojasse longe de Ti, eu não me afastaria um só passo, pois Teu amor habita em meu coração.
Logo cantava:
 
Oh, minha alegria, meu desejo e meu refúgio,
Meu companheiro, meu amparo no caminho,
Oh, meu objetivo!
És o espírito do meu coração.
Tu és minha esperança,
Meu confidente, meu Amigo.
 
Meu anelo de Ti é minha única riqueza,
Meu ardente desejo, todo meu sustento,
Se não fosse por Ti, oh, vida de minha vida,
Não haveria vagado de um lado para o outro
Pela imensidão do país.
 
Quantas graças me foram reveladas,
Quantos dons e favores Tu tens para mim!
 
Teu amor é meu único desejo, Teu amor é minha delícia,
A luz que sacia meu sedento coração.
Não me afastarei de Ti enquanto viva,
Não há lugar para mim, senão Tu,
Que fazes florescer o deserto.
Tu és o único dono do meu coração.
 
Se em mim encontras contentamento,
Oh, anelo do meu coração,
Transbordarei de alegria!"
    

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